# NCSF apresenta balanço de mídia e consentimento em 2023

> O relatório de 2023 da NCSF detalha ações de mídia, educação sobre consentimento e advocacy por comunidades kink e não monogâmicas, além de desafios como menor alcance e mudanças em algoritmos.

- Tema: Grupos e comunidades
- Tags: ncsf, mídia, consentimento, kink, não-monogamia, advocacia, comunidade
- URL: https://bdsm.ersolucoesweb.com.br/a/ncsf-apresenta-balanco-de-midia-e-consentimento-em-2023
- Fonte original: NCSF - National Coalition for Sexual Freedom (https://ncsfreedom.org/2024/02/12/ncsf-media-activity-report-2023)
- Atualizado: 2026-10-28

## Um balanço de comunicação e defesa de direitos

Em fevereiro de 2024, a National Coalition for Sexual Freedom (NCSF) divulgou seu relatório de atividades de mídia referente a 2023. O documento reúne o trabalho do comitê de relações públicas e do programa de alcance midiático, voltados a informar sobre consentimento, reduzir estigmas e acompanhar como temas ligados ao kink e às não monogamias aparecem na imprensa.

Para 2024, o comitê planejou encontros trimestrais nas terceiras segundas-feiras de janeiro, abril, julho e outubro, às 8h30 no horário do leste dos Estados Unidos. A mudança para quatro reuniões anuais reflete maior estabilidade do grupo, criado no outono de 2021.

## Atualizações de mídia

A NCSF publicou 101 atualizações de mídia em 2023, contra 113 em 2022. A distribuição foi de 61 itens sobre não monogamia, 35 sobre kink e 5 sobre positividade sexual. Esse acompanhamento ajuda a mapear a cobertura jornalística e a oferecer retorno direto sobre como esses assuntos são tratados.

Segundo o relatório, desde 2012 a maior parte da cobertura sobre kink tem sido positiva, e não negativa. A organização atribui essa mudança a dois fatores: a retirada do BDSM da lista de patologias no DSM-5, da Associação Americana de Psiquiatria, e o impacto cultural de Cinquenta Tons de Cinza, que, para o bem ou para o mal, alterou a conversa midiática sobre o tema. O texto também observa que, há vários anos, matérias sobre não monogamia superam as sobre kink.

Um ponto de atenção foi a alteração no funcionamento dos alertas do Google usados para localizar artigos. Segundo a NCSF, o sistema passou a devolver conteúdo pouco relacionado e a evitar palavras-chave como kinky, swinging e BDSM. A organização vê nisso um sinal de silenciamento crescente por parte da tecnologia online.

## Entrevistas e podcasts

A NCSF realizou 24 entrevistas com podcasts e publicações comunitárias em 2023. O número é próximo ao de 2022, quando foram 25, e ao de 2020, com 24; em 2021, foram 17. A prioridade tem sido veículos produzidos pelas próprias comunidades, para divulgar a permissão prévia explícita e os materiais do programa Consent Counts.

Entre as participações citadas estão podcasts como Fat Chicks on Top, Your Legal Rights e Loving Without Boundaries, além de uma matéria do BuzzFeed. O foco é levar informação sobre direitos, consentimento e defesa legal a públicos que nem sempre encontram esses temas na mídia tradicional.

## Notícias, campanhas e materiais educativos

O blog da NCSF recebeu 24 publicações sobre serviços, advocacy e apoio a organizações aliadas. Entre os temas estavam a descriminalização da não monogamia nas forças armadas dos Estados Unidos, no debate sobre o Artigo 134 do Código Uniforme de Justiça Militar; o pedido para que o Congresso rejeitasse o Earn It Act, por riscos à criptografia e à liberdade na internet; e a divulgação de paradas da liberdade sexual em Denver, Nova Orleans e Las Vegas.

A organização também preparou um pacote de mídia e uma minuta de comunicado para a publicação da permissão prévia explícita pela ALI. Além disso, manteve campanhas sazonais, como o Metamour Day, o Mês do Consentimento, com o lema Consentimento é a chave em 2023, e o Dia do Poliamor, promovido no Dia de Ação de Graças, em 23 de novembro, que alcançou 15 mil visualizações no Facebook. Houve ainda ações de filiação anual, em julho, e de doações de fim de ano.

Os infográficos sobre consentimento seguem como uma das iniciativas mais produtivas. São 49 peças em rotação, sendo 33 criadas em 2023, além de 24 placas e dois vídeos, incluindo I Am a Coffee Cup e um material do programa CAPP, produzido pela parceira Safer Sex.com. A NCSF também mantém um perfil no FetLife, onde publica textos curtos sobre consentimento.

## Blogs convidados e critérios editoriais

Foram publicados 12 textos de convidados em 2023. A NCSF afirma seguir critérios rígidos: o conteúdo precisa educar profissionais sobre as comunidades kink ou não monogâmicas, ou tratar da relação dessas comunidades com a sociedade em geral, como custódia de filhos, exposição não consensual da identidade, contato com agentes da lei, discriminação por profissionais e questões de diversidade, equidade e inclusão.

Entre os assuntos abordados estiveram a ética em dinâmicas de poder no estilo de vida swinger, intervenção de espectadores, dificuldades de trabalhadores da indústria adulta com processamento de pagamentos e a criação de políticas contra discriminação e assédio.

## Presença digital e obstáculos

No fim de 2023, a lista de anúncios da NCSF no Constant Contact tinha 7.701 contatos. No Facebook, eram 6.526 curtidas e 7.062 seguidores; no X, 10.900 seguidores, embora as postagens tenham sido suspensas em 2023 por questões de moderação. No FetLife, o perfil da NCSF somava 618 seguidores desde junho, o grupo NCSF News tinha 6.690 membros e o Consent Counts, 3.164 membros. O Instagram chegou a 3.400 seguidores, com aumento de 1.000; o TikTok, a 1.270; e o YouTube registrou 1.520 visualizações.

O relatório também relata que a NCSF parece estar sob uma restrição de visibilidade no Facebook, com alcance reduzido a cerca de 10% do que era no início de 2022. Publicações que antes chegavam a 10 mil visualizações passaram a alcançar cerca de 1 mil. A organização afirma não ter encontrado maneira de reverter esse quadro.

## O que o balanço indica

O documento mostra uma organização voltada à educação sobre consentimento, à defesa de direitos e ao acompanhamento da cobertura midiática, mas também dependente de plataformas que moderam, limitam ou alteram o alcance de conteúdos. Para comunidades kink e não monogâmicas, visibilidade pública está ligada a privacidade, acesso a direitos e combate à discriminação.

O relatório trata de comunicação e advocacy, não de instruções de prática. Ainda assim, reforça que consentimento, negociação, palavras de segurança e cuidados posteriores são elementos centrais em contextos kink, e que materiais educativos não substituem orientação jurídica individual.

## Segurança

- Consentimento e negociação devem ser explícitos e contínuos em práticas kink.
- Palavras de segurança e cuidados posteriores são recomendados em qualquer cena.
- Materiais de educação sobre consentimento não substituem orientação jurídica individual.
